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    Carta de amor ao poeta / 24-V-79

    Publicado el Jue/20/Nov/2008 por Marisem a las 00:01:21

              Reúno palavras
              verso num canto
              ou nada disso /
              acontece e
              somente posso
              dizer: te amo.

    Em tudo disso
    anoitece mas
    há palavra
    á margem
    do verso
    obscura
    no canto reclama
    pro amor
    uma noite sempre
    ao alcance da mão
    a criação de um dia
    novo amor: un dia comum
    entre frincha e febre e furor
    ? Como detê-lo
    amor que é de vidro é
    de vento é ventor.

    Nada disso
    consente ser
    salteado seriado
    tudo disso /
    nos é possível deter?

    Marise Manoel

    (De ‘Galo sem turno’, Edição da autora, Curitiba/agosto/1980)

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    Nossas noites como mortes / 78

    Publicado el Jue/13/Nov/2008 por Marisem a las 00:01:39

    Quando a noite principia
    pontual e desnuda
    é como a morte.

    É mesmo como a morte.

         Na estação
         do trem que parte
              como o dia
         un homem cala
         e a noite desce em seus ombros
              num peso de esmola.

    É mesmo como a morte.
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    Mareado / 79

    Publicado el Jue/06/Nov/2008 por Marisem a las 00:01:30

    Quando tocas em mim
    com seus dez dedos
    de homen
    meu corpo mulher
    cega de ais
              abre-se
    em flor de deserto
              miragem?
    bagagem de talos
              e hastes
    poeira inútil
    (en) cobre o cio.
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    Estação / 79

    Publicado el Vie/31/Oct/2008 por Marisem a las 00:01:43

              Por que
              sobre meu colo
              aberto em relva
              caiu
              a folha de ou
              tono? Será
              meu colo
              de terra sujo
                   de adeus
              e de tão morta
              a folha
              caiu em chamas.
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    Retalhos / 80

    Publicado el Vie/24/Oct/2008 por Marisem a las 00:01:39

    Pra Nica

    Um rosto negro um
              sangue ateu
    senhas
              meninas nuas
              palmo de rua
                   céus.
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    Chão da pátria / 79

    Publicado el Vie/17/Oct/2008 por Marisem a las 00:01:04

    Digo
    manhã de galo e
              povo: esse capim vermelho
              preso ao chão
                      do país

    a manhã
    com seus trapos todos
    e cicatrizes que outras
    manhãs mostram
    no vento latino.
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    Coração / 79

    Publicado el Vie/10/Oct/2008 por Marisem a las 00:01:37

    Alinhavo as manhãs
    sorridentes
    enquanto tu
              és sono
    minhas mãos
    percorrem o dia
    que estreitas
    enquanto tu
              és sonho
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    1979

    Publicado el Vie/03/Oct/2008 por Marisem a las 00:01:30

    Ainda que azul atraves
    sando a vidraça
    indiferente
    azul é tudo sob o céu
    desta casa.
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    Dia de hoje / 79

    Publicado el Vie/26/Sep/2008 por Marisem a las 00:01:29

    O sol forjou
    seu riso
              intumesceu o dia

    Em meu jardim
    nuvens de forca
    executam o Deus
    dentro de mim
              o jardim
              e o Deus
    o dia de hoje
    Calou sua boca
              a história
              prossegue
    Leer más »

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